Teixeira e Sousa
O carpinteiro mestiço que escreveu o primeiro romance brasileiro
📋 Dados biográficos
Nome pelo qual ficou conhecido: Teixeira e Sousa
Nome completo: Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa
Data de nascimento: 28 de março de 1812
Local de nascimento: Cabo Frio, RJ (Brasil)
Data de falecimento: 1861
Local de falecimento: Rio de Janeiro, RJ (Brasil)
Formação acadêmica: Estudou até os 10 anos; abandonou a escola para trabalhar como carpinteiro. Autodidata em literatura
Outras profissões: Carpinteiro, tipógrafo, caixeiro, revisor de provas, guarda da Alfândega, editor, professor público, escrivão da Primeira Vara do Juízo do Comércio do Rio de Janeiro
Movimento literário: Romantismo — precursor do romance brasileiro
📚 Principais obras (ordem cronológica)
- Cânticos Líricos I (1841)
- Cânticos Líricos II (1842)
- O Filho do Pescador (1843) — considerado o primeiro romance brasileiro
- Os Três Dias de um Noivado (poema, 1844)
- As Fatalidades de Dois Jovens (1846)
- Tardes de um Pintor ou as Intrigas de um Jesuíta (1847)
- Gonzaga ou a Conspiração de Tiradentes (1848–1851)
- A Providência (1854)
- Maria ou a Menina Roubada (1859)
💬 Frase que define sua história
"O carpinteiro mestiço que, entre martelos e penas, escreveu o primeiro romance brasileiro e abriu caminho para uma literatura nacional."
📖 Texto sobre o autor
Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa nasceu em Cabo Frio em 1812, filho de um comerciante português e de uma mulher negra. Aos dez anos, abandonou os estudos para trabalhar como auxiliar de carpinteiro e ajudar no sustento da família. Em 1825, mudou-se para o Rio de Janeiro para aprimorar-se no ofício, mas foi acometido pela tuberculose e retornou a Cabo Frio para tratamento. Durante a convalescença, dedicou-se à leitura e começou a escrever.
Após perder quatro irmãos para a doença, voltou ao Rio em 1832 e empregou-se na tipografia de Paula Brito, figura central da vida literária da Corte. Foi nesse ambiente que publicou, em 1843, O Filho do Pescador, considerado por muitos estudiosos o primeiro romance propriamente brasileiro, anterior a A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo (1844).
Teixeira e Sousa publicou mais cinco romances e quatro livros de poesia, explorando temas indianistas e históricos. Sua escrita, marcada pela urgência e pelas dificuldades de formação autodidata, foi depois considerada "ilegível" pela crítica, mas seu papel de precursor é incontestável. Trabalhou como professor público entre 1849 e 1855 e, em 1855, obteve o cargo de escrivão da Primeira Vara do Juízo do Comércio, que lhe garantiu estabilidade financeira. Morreu de tuberculose em 1861, no Rio de Janeiro.