Maria Firmina dos Reis
A primeira romancista negra do Brasil, que deu voz aos escravizados
📋 Dados biográficos
Nome pelo qual ficou conhecida: Maria Firmina dos Reis
Nome completo: Maria Firmina dos Reis
Data de nascimento: 11 de março de 1822 (ou 1825, segundo algumas fontes)
Local de nascimento: Ilha de São Luís, MA (Brasil)
Data de falecimento: 1917
Local de falecimento: Guimarães, MA (Brasil)
Formação acadêmica: Professora de primeiras letras, aprovada em concurso público em 1847; estudou música e participou de antologias
Outras profissões: Professora primária (1847–1881), musicista, compositora, ativista abolicionista
Movimento literário: Romantismo (com forte crítica social e abolicionista)
📚 Principais obras (ordem cronológica)
- Úrsula (1859) — primeiro romance abolicionista do Brasil e primeiro romance escrito por uma mulher brasileira
- Gupeva (1861) — romance indianista
- A Escrava (1887) — conto abolicionista
- Hino da Libertação dos Escravos (1888)
💬 Frase que define sua história
"A primeira romancista negra do Brasil, que deu voz aos escravizados antes mesmo de Castro Alves e fez da literatura um instrumento de libertação."
📖 Texto sobre a autora
Maria Firmina dos Reis nasceu na Ilha de São Luís, no Maranhão, em 1822, filha de uma escrava liberta e de um homem ligado à família que havia sido dona de sua mãe. Negra e bastarda, enfrentou as barreiras do preconceito em uma sociedade patriarcal e escravocrata.
Em 1847, aos 25 anos, foi aprovada em concurso público e tornou-se a primeira professora concursada do Maranhão, lecionando em Guimarães, no continente. Lecionou por mais de três décadas, inclusive para crianças que não podiam se deslocar até a escola. Em 1859, publicou Úrsula, considerado o primeiro romance abolicionista do Brasil e a primeira obra literária publicada por uma mulher brasileira. O romance inova ao dar voz e agência a personagens escravizados, como Túlio e Susana, que narram suas dores e revoltas.
Em 1887, no auge da campanha abolicionista, publicou o conto A Escrava, assumindo-se publicamente como militante da causa. Morreu em 1917, aos 95 anos, cega e na miséria, tendo sua obra permanecido no esquecimento por quase um século até ser resgatada por pesquisadores.