Luís Gama
O ex-escravo que se fez advogado sem diploma e libertou mais de 500 cativos
📋 Dados biográficos
Nome pelo qual ficou conhecido: Luís Gama (Luiz Gama)
Nome completo: Luís Gonzaga Pinto da Gama
Data de nascimento: 21 de junho de 1830
Local de nascimento: Salvador, BA (Brasil)
Data de falecimento: 1882
Local de falecimento: São Paulo, SP (Brasil)
Formação acadêmica: Autodidata em Direito; impedido de matricular-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco por ser negro, assistiu aulas como ouvinte e obteve carta de advogado provisionado
Outras profissões: Advogado provisionado (rábula), jornalista, poeta satírico, funcionário público (escrevente na Secretaria de Segurança Pública), maçom, fundador do Partido Republicano Paulista (1873)
Movimento literário: Romantismo — com forte veia satírica e abolicionista
📚 Principais obras (ordem cronológica)
- Primeiras Trovas Burlescas de Getulino (1859)
- Artigos abolicionistas na imprensa paulista e carioca (décadas de 1860–1880)
- Diabo Coxo (1864) — primeiro jornal ilustrado de São Paulo, por ele fundado
💬 Frase que define sua história
"O ex-escravo que se fez advogado sem diploma e libertou mais de 500 cativos pela via judicial, tornando-se o patrono da abolição no Brasil."
📖 Texto sobre o autor
Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador, em 1830, filho de Luísa Mahin, africana liberta que participou da Revolta dos Malês, e de um português. Aos dez anos, foi vendido como escravo pelo próprio pai para pagar dívidas de jogo e transportado para São Paulo. Foi alfabetizado apenas aos 17 anos por um hóspede do fazendeiro que o comprara, e no ano seguinte conseguiu judicialmente a própria liberdade.
Tentou matricular-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas foi recusado por ser negro. Determinado, estudou Direito de forma autodidata, conquistou uma carta de advogado provisionado e passou a atuar na prática, libertando mais de 500 escravizados pela via judicial, sempre sem cobrar honorários. Em 1859, publicou Primeiras Trovas Burlescas de Getulino, livro de poemas satíricos que criticavam a aristocracia e os poderosos de seu tempo. Como jornalista, fundou o Diabo Coxo (1864) e colaborou em diversos periódicos abolicionistas e republicanos. Foi um dos fundadores do Partido Republicano Paulista em 1873.
Morreu em 1882, e seu cortejo fúnebre parou a cidade de São Paulo, com milhares de pessoas acompanhando o caixão. Em 2015, a OAB reconheceu-o postumamente como advogado, e em 2018 foi declarado patrono da abolição da escravidão no Brasil.