Sousândrade

O poeta maldito que escreveu para ser lido cinquenta anos depois

Retrato de Sousândrade, poeta maranhense, autor de O Guesa Errante
Sousândrade (1833–1902)

📋 Dados biográficos

Nome pelo qual ficou conhecido: Sousândrade

Nome completo: Joaquim de Souza Andrade

Data de nascimento: 9 de julho de 1833

Local de nascimento: Guimarães, MA (Brasil)

Data de falecimento: 1902

Local de falecimento: São Luís, MA (Brasil)

Formação acadêmica: Curso de Letras na Sorbonne (Paris); engenharia de minas (segundo biógrafos)

Outras profissões: Professor de grego, engenheiro, jornalista, político republicano, presidente da Intendência Municipal de São Luís

Movimento literário: Romantismo (com traços visionários que antecipam vanguardas)

📚 Principais obras (ordem cronológica)

  • Harpas Selvagens (1857)
  • Impressos (poesias líricas, 1868–1869)
  • O Guesa Errante (cantos publicados a partir de 1874; obra fragmentada, composta ao longo de décadas)

💬 Frase que define sua história

"O poeta maldito que escreveu para ser lido cinquenta anos depois e, de fato, só foi redescoberto no século XX."

📖 Texto sobre o autor

Joaquim de Souza Andrade, o Sousândrade, nasceu em Guimarães, no Maranhão, em 1833, e pertenceu a uma geração de românticos que buscavam uma poesia de dimensão épica e nacional. Estudou Letras na Sorbonne, em Paris, onde também teria cursado engenharia de minas. Republicano convicto e militante, recusou-se a cortejar o Imperador ou a buscar o mecenato oficial, o que o condenou ao ostracismo literário.

Publicou seu primeiro livro, Harpas Selvagens, em 1857, ainda dentro dos moldes românticos convencionais. Mas sua obra maior é O Guesa Errante, poema épico inspirado na lenda dos índios muíscas, da Colômbia, sobre um jovem sacrificado ao deus Sol. Nesse poema, Sousândrade utilizou neologismos, metáforas vertiginosas e um experimentalismo linguístico que só seriam valorizados mais de meio século depois. Viajou pela Amazônia e pelos Andes, viveu catorze anos em Nova York, onde escreveu para o jornal republicano O Novo Mundo e publicou partes de sua obra.

De volta ao Maranhão, em 1890, presidiu a Intendência Municipal de São Luís, reformou o ensino, fundou escolas mistas e idealizou a bandeira do estado. Foi candidato a senador, mas desistiu antes da eleição. Morreu em 1902, na miséria, abandonado pela esposa e pela filha, considerado louco por muitos. Sua redescoberta se deu nos anos 1960, graças aos poetas concretistas Haroldo e Augusto de Campos, que o consagraram como um precursor das vanguardas brasileiras.

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