Fagundes Varela
O poeta do calvário que fez da dor pela morte do filho um dos mais belos poemas da língua portuguesa
📋 Dados biográficos
Nome pelo qual ficou conhecido: Fagundes Varela
Nome completo: Luís Nicolau Fagundes Varela
Data de nascimento: 17 de agosto de 1841
Local de nascimento: São João Marcos (atual Rio Claro), RJ (Brasil)
Data de falecimento: 1875
Local de falecimento: Niterói, RJ (Brasil)
Formação acadêmica: Faculdade de Direito de São Paulo (ingressou em 1862, nunca concluiu)
Outras profissões: Não exerceu outras profissões de forma sistemática; foi poeta e boêmio
Movimento literário: Romantismo — Segunda Geração (Ultrarromantismo) e Terceira Geração (Condoreirismo)
📚 Principais obras (ordem cronológica)
- Noturnas (1861)
- O Estandarte Auriverde (1863)
- Vozes da América (1864)
- Cantos e Fantasias (1865)
- Cantos Meridionais (1869)
- Cantos do Ermo e da Cidade (1869)
- Anchieta ou o Evangelho nas Selvas (1875)
- Diário de Lázaro (publicação póstuma)
💬 Frase que define sua história
"O poeta do calvário que fez da dor pela morte do filho um dos mais belos poemas da língua portuguesa e morreu jovem, consumido pela boêmia e pelo álcool."
📖 Texto sobre o autor
Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em São João Marcos, no Rio de Janeiro, em 1841, filho de família abastada. Passou a infância na fazenda natal e em Catalão, Goiás, onde o pai exercia a magistratura e onde teria conhecido Bernardo Guimarães. Em 1859, foi para São Paulo terminar os preparatórios e, em 1862, matriculou-se na Faculdade de Direito, que nunca concluiu, preferindo a boêmia e a literatura.
Em 1861, publicou seu primeiro livro, Noturnas. No ano seguinte, casou-se com Alice Guilhermina Luande, artista de circo, provocando escândalo na família e agravando sua penúria financeira. O primeiro filho, Emiliano, morreu com três meses de idade, inspirando-lhe o poema "Cântico do Calvário", considerado sua obra-prima. Publicou Vozes da América (1864) e Cantos e Fantasias (1865). No mesmo período, perdeu a esposa.
Voltou a São Paulo em 1867, mas abandonou de vez o curso e recolheu-se à casa paterna. Casou-se pela segunda vez com a prima Maria Belisária de Brito Lambert, com quem teve três filhos. Em 1870, mudou-se com o pai para Niterói, onde viveu até o fim, entre estadas em fazendas de parentes e a boêmia intelectual do Rio. Morreu em 1875, aos 33 anos, de derrame cerebral. Sua poesia, que atravessa o Ultrarromantismo e o Condoreirismo, é marcada pela angústia, pelo sofrimento, pelo misticismo e pela temática social abolicionista.