Júlio Ribeiro

O filólogo que escandalizou o Brasil com "A Carne" e criou a bandeira de São Paulo

Retrato de Júlio Ribeiro, filólogo, gramático e romancista brasileiro, autor de A Carne
Júlio Ribeiro (1845–1890)

📋 Dados biográficos

Nome pelo qual ficou conhecido: Júlio Ribeiro

Nome completo: Júlio César Ribeiro Vaughan

Data de nascimento: 16 de abril de 1845

Local de nascimento: Sabará, MG (Brasil)

Data de falecimento: 1º de novembro de 1890

Local de falecimento: Santos, SP (Brasil)

Formação acadêmica: Escola Militar do Rio de Janeiro (ingressou em 1862, abandonou em 1865)

Outras profissões: Filólogo, gramático, jornalista (fundador e diretor de O Sorocabano, A Procelária e O Rebate), professor de Latim, Retórica e Português, tradutor, ativista republicano, criador da bandeira do estado de São Paulo

Movimento literário: Naturalismo (romance); Parnasianismo não se aplica — sua obra é filiada ao cientificismo do final do século XIX

📚 Principais obras (ordem cronológica)

  • O Padre Belchior de Pontes (romance, 1867–68)
  • Gramática Portuguesa (1881)
  • Cartas Sertanejas (1885)
  • A Carne (1888)
  • Uma Polêmica Célebre (1934, publicação póstuma)

💬 Frase que define sua história

"O filólogo que escandalizou o Brasil com A Carne, romance naturalista sobre o desejo feminino, e criou a bandeira de São Paulo."

📖 Texto sobre o autor

Júlio César Ribeiro Vaughan nasceu em Sabará, Minas Gerais, em 1845, filho de um norte-americano e de uma professora pública brasileira. Fez os estudos primários com a mãe e depois em colégio mineiro, ingressando na Escola Militar do Rio de Janeiro em 1862. Três anos depois, abandonou o curso militar para dedicar-se ao jornalismo e ao magistério. Autodidata em latim, grego, línguas modernas e música, tornou-se um dos mais combativos intelectuais de seu tempo.

Foi proprietário e diretor de jornais em Sorocaba e São Paulo, colaborando com O Estado de S. Paulo, Diário Mercantil e Gazeta de Campinas. Em 1881, publicou sua Gramática Portuguesa, que inovou os estudos gramaticais ao introduzir métodos alemães, ingleses e franceses. Como romancista, filiou-se ao Naturalismo e publicou A Carne em 1888, romance que escandalizou a sociedade ao tratar abertamente do desejo feminino e de temas como amor livre, divórcio e sexualidade.

O padre Sena Freitas atacou a obra chamando-a de "carne de bordel", e Júlio Ribeiro respondeu com uma série de artigos que se tornaram o livro Uma Polêmica Célebre. Republicano ativo, idealizou a bandeira do estado de São Paulo em 1888, proposta para ser a bandeira nacional. Morreu em Santos em 1º de novembro de 1890, aos 45 anos. É patrono da Cadeira nº 24 da Academia Brasileira de Letras.

← Voltar para a lista de escritores com R