Manuel Querino

O autodidata negro que documentou a contribuição africana como fator de civilização brasileira

Retrato de Manuel Querino, escritor, pintor e precursor dos estudos afro-brasileiros
Manuel Querino (1851–1923)

📋 Dados biográficos

Nome pelo qual ficou conhecido: Manuel Querino

Nome completo: Manuel Raimundo Querino

Data de nascimento: 28 de julho de 1851

Local de nascimento: Santo Amaro, BA (Brasil)

Data de falecimento: 1923

Local de falecimento: Salvador, BA (Brasil)

Formação acadêmica: Autodidata; formou-se em Desenho pela Escola de Belas Artes da Bahia (1882) e frequentou o curso de Arquitetura; estudou no Liceu de Artes e Ofícios, do qual foi um dos fundadores

Outras profissões: Pintor decorador, desenhista, professor de Desenho Geométrico, funcionário público (3º oficial da Secretaria da Agricultura), fundador da Liga Operária (1875), fundador do Partido Operário da Bahia, vereador

Movimento literário: Não se aplica (etnografia, folclore e crítica social — precursor dos estudos afro-brasileiros)

📚 Principais obras (ordem cronológica)

  • Desenho linear das classes elementares (1903)
  • As artes na Bahia (1909)
  • Artistas baianos: indicações biográficas (1909)
  • Elementos de Desenho Geométrico (1911)
  • Bailes pastoris (1914)
  • A Bahia de outrora: vultos e fatos populares (1916)
  • O colono preto como fator da civilização brasileira (1918)
  • A arte culinária na Bahia (1928, publicação póstuma)
  • Costumes africanos no Brasil (1938, publicação póstuma)

💬 Frase que define sua história

"O autodidata negro que, do ofício de pintor à tribuna dos congressos, documentou a contribuição africana como fator de civilização brasileira, contra as teorias racistas de seu tempo."

📖 Texto sobre o autor

Manuel Raimundo Querino nasceu em Santo Amaro, Bahia, em 1851, órfão de pais ainda criança. Foi criado por um tutor, o professor Manuel Correia Garcia, que lhe despertou o gosto pelo estudo. Em 1863, viajou pelo sertão de Pernambuco até o Piauí, sendo recrutado para a Guerra do Paraguai. Chegou ao Rio de Janeiro, onde serviu no Exército até 1870, quando foi dispensado.

De volta à Bahia, retomou o ofício de pintor decorador e iniciou os estudos de francês e português. Formou-se em Desenho pela Escola de Belas Artes em 1882, destacando-se como aluno de Arquitetura. Foi um dos fundadores do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e lecionou Desenho Geométrico no Colégio dos Órfãos de São Joaquim.

Homem negro numa sociedade escravocrata e racista, Querino dedicou sua vida à valorização da cultura afro-brasileira. Em 1918, apresentou ao 6º Congresso Brasileiro de Geografia o ensaio O colono preto como fator da civilização brasileira, no qual contrariou abertamente as teorias racialistas então hegemônicas, afirmando o papel civilizatório do negro na formação nacional. Suas obras sobre as artes, os costumes, a culinária e as religiosidades afro-baianas são hoje reconhecidas como fundadoras dos estudos afro-brasileiros. Morreu em 1923, deixando um legado que só foi plenamente reconhecido décadas depois.

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