Augusto dos Anjos

O poeta da dor e da decomposição que cantou a morte e a matéria com vocabulário científico

Retrato de Augusto dos Anjos, poeta brasileiro pré-modernista
Augusto dos Anjos (1884–1914)

📋 Dados biográficos

Nome pelo qual ficou conhecido: Augusto dos Anjos

Nome completo: Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Data de nascimento: 20 de abril de 1884

Local de nascimento: Engenho Pau d'Arco, Paraíba (Brasil)

Data de falecimento: 1914

Local de falecimento: Brasil

Formação acadêmica: Faculdade de Direito do Recife (formou-se em 1907)

Outras profissões: Professor (lecionou em escolas no Rio de Janeiro), diretor de grupo escolar

Movimento literário: Pré-Modernismo (poeta solitário, sem filiação a escola ou vanguarda)

📚 Principais obras (ordem cronológica)

  • Eu (1912)
  • Eu e Outras Poesias (edição ampliada, 1920)
  • Obra Completa (1995)

💬 Frase que define sua história

"O poeta da dor e da decomposição que cantou a morte e a matéria com vocabulário científico, tornando-se um caso único na literatura brasileira."

📖 Texto sobre o autor

Augusto dos Anjos nasceu no engenho Pau d'Arco, na Paraíba, em 1884, numa família de senhores de engenho que assistiu à decadência econômica com a abolição e a industrialização. Menino prodígio, aprendeu a ler sozinho e publicou seu primeiro soneto aos 15 anos. Formou-se em Direito no Recife, mas nunca exerceu a profissão de advogado. Foi professor no Rio de Janeiro, onde viveu com a esposa e os filhos, em condições modestas.

Sua obra é praticamente um único livro: Eu, publicado em 1912, com tiragem de apenas mil exemplares, que ele mesmo ajudou a custear. O livro causou estranheza e escândalo. Augusto dos Anjos escrevia sobre a morte, a decomposição dos corpos, a podridão dos cemitérios, o amor carnal e a dor existencial, tudo isso com um vocabulário inusitado para a poesia: termos científicos, médicos, químicos e biológicos.

Influenciado por Spencer, Darwin, Haeckel e pela Escola do Recife, construiu uma poesia materialista e pessimista, na qual o ser humano é apenas matéria que sofre e apodrece. Seu soneto mais famoso, "Psicologia de um Vencido", resume sua visão de mundo: "Eu, filho do carbono e do amoníaco, / Monstro de escuridão e rutilância, / Sofro, desde a epigênese da infância, / A influência má dos signos do zodíaco."

Augusto dos Anjos morreu em 1914, aos 30 anos, de pneumonia. Sua poesia, ignorada pela crítica de seu tempo, foi redescoberta e tornou-se uma das mais lidas e influentes do Brasil, celebrada por sua originalidade radical e por sua capacidade de transformar o horror em beleza.

← Voltar para a lista de escritores com A